sobre o inesc

MENSAGEM DO PRESIDENTE

José TriboletO PAPEL DO SISTEMA INESC NA CONSTRUÇÃO DO FUTURO DE PORTUGAL

Mais de três décadas passadas desde a criação do INESC (em Agosto de 1980), a dinâmica das várias instituições que, atualmente, constituem o chamado "Sistema INESC" e que se identificam com os seus objetivos fundamentais, continua a manifestar sinais sólidos de pujança, conferindo a cada uma delas e, consequentemente, ao todo institucional, uma grande resiliência e capacidade de adaptação face às mudanças violentas de contextos políticos, económico-financeiros e sociais, verificadas ao longo desta caminhada.

O "Sistema INESC" funda-se numa postura de Serviço aos seus Associados e a Portugal, assente na vontade e na capacidade dos indivíduos que formam o sistema atual: os profissionais do mundo da Ciência e da Tecnologia, na sua maioria professores, investigadores e alunos das Universidades e dos Institutos Politécnicos associados do INESC (Holding) e das várias Unidades de I&DT por ele participadas (os vários INESC's), mas também os, muitos e valiosos, quadros próprios do INESC e das suas participadas.

No meio do turbilhão das atividades correntes, ligadas à execução de projetos e a contratos de Investigação e de Desenvolvimento Tecnológico e de Prestação de Serviços especializados, no fluxo intenso de pessoas, de meios, de parceiros, de prazos e de avaliações e auditorias e, ainda, no quadro das angustiantes condicionantes que a crise que vivemos em Portugal nos impõe, quer ao nível pessoal quer institucional, há que saber manter a serenidade, repensar objetivos estratégicos, fazer evoluir as nossas formas organizativas, as nossas redes de relações, refundando, após análise crítica, descomplexada e corajosa, as finalidades da nossa ação e as bases fundamentais que a justificam do ponto de vista ético e moral, perante os cidadãos e o nosso País.

Vivemos um período relativamente longo onde pudemos dispor de meios financeiros e materiais para as nossas atividades, conquistados e atribuídos, regra geral, por mérito, mas onde não nos foi exigido que pensássemos e atuássemos, em C&T, motivados sobretudo pelos desafios do Portugal real. A justificação dos nossos objetivos e das nossas atividades e resultados, colocava-se, sobretudo, perante o sistema científico. Tudo isto afetou - e vai continuar a afetar - o futuro imediato de todos nós.

Pessoalmente, sempre me demarquei deste posicionamento e, em larga medida, o INESC foi exceção neste panorama! Considerei, e considero que temos hoje, provavelmente mais do que nunca, a obrigação, individual e coletiva, de apurarmos o custo/benefício da nossa atividade, na ótica da Sociedade a que pertencemos.

E sei que temos capacidade para alinhar objetivos, meios e vontades, de forma a contribuirmos, de forma explícita e oportuna, para a criação de riqueza para Portugal, nas suas diversas vertentes, económica, social, cultural e humana.

Apelo a que intensifiquemos a busca ativa de criação de valor, pela C&T, pela formação de RH especializados e pela prestação independente de serviços especializados, de forma a alavancarmos a recuperação económica e a regeneração do espírito e da vontade dos Portugueses. E isso implica o envolvimento de todos, dos mais novos aos mais velhos, numa postura empenhada de responsabilidade pela cidadania, dos quais os universitários e os cientistas não podem estar excluídos.

Há fome em Portugal. Há desemprego em Portugal. Há depressão em Portugal. Há uma tremenda batalha a travar, pela construção de um Futuro para os nossos netos. O Portugal do Futuro não virá de fora, mas sim de dentro, voltado para fora.

Hoje, tal como em 1979 e 1980, aquando da "invenção" do INESC, há que interiorizar que este sistema institucional, esta equipa tremenda de pessoas boas, afiliadas nas melhores instituições do ensino universitário e politécnico nacional, enriquecida com muitos investigadores, nacionais e internacionais de qualidade, constitui um caminho para soluções de problemas reais e profundos que afligem o nosso País. Há, pois, que revalidar as formas que hoje adotamos para nos organizarmos e trabalharmos, em função dos problemas de fundo que nos propomos ajudar a resolver.

Mas, nesta conformidade, no sistema INESC perduram princípios e práticas muito saudáveis, que são, em si mesmo, contributos preciosos para o futuro de Portugal. No INESC, como em muitas das instituições que constituem o sistema nacional de ensino superior e universitário e de C&T, privilegia-se o mérito, trabalha-se no duro, desenvolvem-se as pessoas e as suas capacidades, num ambiente de liberdade e de responsabilidade, de seriedade e de honestidade.

Não será muito, dirão alguns. Mas é mais disto que precisamos em Portugal. Precisamos de ter, manter e desenvolver instituições de excelência que apostem nos portugueses, que se guiem por valores, que sejam solidárias com o nosso Portugal, que sejam exigentes, que busquem a qualidade em todas as dimensões das suas atividades.

Portugal é mais que a soma dos portugueses como indivíduos, é mais que um conjunto de jogos momentâneos de interesses individuais e egoístas. Portugal é, também, o resultado das ações e interações das instituições, formais e informais, onde os cidadãos portugueses vivem, trabalham, constroem o futuro e se reveem em termos de objetivos individuais e coletivos.

Importa, pois, reconhecer, apostar, articular e mobilizar as instituições portuguesas, nas suas diversas áreas de atividade, explicitar os seus direitos e deveres de cidadania coletiva, incluí-las na governação soberana, democrática e diversificada do nosso País. E tudo isto porque, sem Instituições, não há Portugal.

O papel do INESC na construção do futuro de Portugal é, para além dos aspetos óbvios ligados às áreas de saber em que se move, o de continuar a ser um "ecossistema" de valores e de práticas, que intensifique o seu papel viral na sociedade portuguesa, e ajude a moldar, anualmente, centenas de jovens, capacitando-os da necessidade de, na cidadania, prosseguirem uma vida profissional ética e moralmente responsável.

José Tribolet
Presidente do INESC