46 Anos de Memória
O INESC foi constituído em 1980, na primeira década da democracia e antes da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, para demonstrar que num país como o nosso havia lugar para investigação e desenvolvimento, e para pôr a universidade e a indústria a trabalhar lado a lado. Tornou-se instituição de utilidade pública em 1987 e durante quarenta e seis anos serviu o país com ciência, engenharia e tecnologia aplicadas às telecomunicações, à internet, aos correios, à administração local, à saúde, à indústria, às infraestruturas e à criação de empresas. O arquivo guarda os documentos e as fotografias dessa construção, e as entrevistas que estão a ser recolhidas guardam a memória de quem a fez. Esta página reúne o que vai sendo publicado no LinkedIn do INESC à medida que o espólio é recuperado.
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Entrevistámos o Professor Alberto Cunha no âmbito do projecto “História, Memória e Património do INESC“. Na conversa, entre memórias e fotografias de muitos outros projectos, ficámos a conhecer o ICARE e o CALYPSO.
𝐎 𝐪𝐮𝐞 é 𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂?
O projecto “História, Memória e Património do INESC” tem vindo a fazer a pergunta a quem construiu esta instituição. Neste episódio, responde o Professor José Alves Marques, director nacional do INESC entre 1990 e 2000.
𝐎 𝐪𝐮𝐞 é 𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂?
O projecto “História, Memória e Património do INESC” tem vindo a fazer a pergunta a quem construiu esta instituição. Neste episódio, responde o Professor Pedro Guedes de Oliveira, primeiro presidente do INESC Porto.
O 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 quer identificar o maior número possível de pessoas que, desde sempre, construíram esta instituição.
Há uma edição comemorativa de aniversário do INFORINESC diferente de todas as outras. Em vez de fotografias de um evento de celebração, é uma 𝐥𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐜𝐞𝐧𝐭𝐞𝐧𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐧𝐨𝐦𝐞𝐬 de investigadores, técnicos, administrativos, bolseiros, e todos os que, à data, faziam parte do INESC.
Mas esta lista não é o limite. 𝐀𝐨 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐨 𝐝𝐞 46 𝐚𝐧𝐨𝐬, 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐫𝐮𝐢𝐮 𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂. Queremos saber quem são.
𝐀𝐣𝐮𝐝𝐞-𝐧𝐨𝐬 𝐚 𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐫 𝐭𝐨𝐝𝐚𝐬 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐬 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 taggando-as nos comentários.
𝘏á 𝘢𝘭𝘨𝘶𝘯𝘴 𝘢𝘯𝘰𝘴, 𝘯𝘰 𝘪𝘯í𝘤𝘪𝘰 𝘥𝘰𝘴 𝘰𝘪𝘵𝘦𝘯𝘵𝘢
𝘜𝘯𝘴 𝘤𝘢𝘳𝘰𝘭𝘰𝘴 𝘥𝘢 𝘯𝘰𝘴𝘴𝘢 𝘜𝘯𝘪𝘷𝘦𝘳𝘴𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦,
𝘓𝘢𝘯ç𝘢𝘳𝘢𝘮 𝘥𝘦 𝘧𝘰𝘳𝘮𝘢 𝘷𝘪𝘰𝘭𝘦𝘯𝘵𝘢
𝘜𝘮𝘢 𝘱𝘦𝘥𝘳𝘢 𝘯𝘰 𝘤𝘩𝘢𝘳𝘤𝘰 𝘥𝘢 𝘤𝘪𝘥𝘢𝘥𝘦.
No 7.º aniversário do 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂, a revista interna publicou a letra de uma canção, “𝐎𝐬 𝐌𝐞𝐧𝐢𝐧𝐨𝐬 𝐝𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂”, com letra do Professor Rogério Carapuça, na altura investigador no 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 e professor no IST, hoje presidente da APDC.
46 anos depois, as ondas do charco continuam a reverberar, em Portugal e no mundo, e a desafiar neptunos e adamastores.
𝐅𝐞𝐥𝐢𝐳 𝐚𝐧𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬á𝐫𝐢𝐨, 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂.
(A letra tem seis estrofes e vale mesmo a pena ler as outras cinco. Foi escrita para a melodia de ‘Meninos do Huambo’, canção de Manuel Rui e Ruy Mingas, considerada um clássico da música popular angolana.)
A pedido da nostalgia de quem reviveu este dia (e da de quem gostaria de o ter vivido), mais imagens do arquivo sobre o mesmo momento.
A revista interna do 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 chamou-lhe “𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐫 𝐯𝐨𝐚𝐝𝐨𝐫”.
Em 1981, os inesquianos ousaram içar até aos seus escritórios uma Data General MV/8000 para construir uma instituição.
𝐍𝐚 𝐩𝐫ó𝐱𝐢𝐦𝐚 𝐬𝐞𝐦𝐚𝐧𝐚 𝐨 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 𝐟𝐚𝐳 46 𝐚𝐧𝐨𝐬.
Hoje, apelamos a quem mais queira ousar “𝐕𝐞𝐧𝐜𝐞𝐫 𝐨 𝐀𝐝𝐚𝐦𝐚𝐬𝐭𝐨𝐫”, o prémio que conta já com quatro edições. 𝐀𝐬 𝐜𝐚𝐧𝐝𝐢𝐝𝐚𝐭𝐮𝐫𝐚𝐬 à 5.ª 𝐞𝐝𝐢çã𝐨 𝐞𝐬𝐭ã𝐨 𝐚𝐛𝐞𝐫𝐭𝐚𝐬 𝐚𝐭é 26 𝐝𝐞 𝐎𝐮𝐭𝐮𝐛𝐫𝐨.
O que é o 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂?
Perguntámos ao Professor 𝐉𝐨𝐬é 𝐓𝐫𝐢𝐛𝐨𝐥𝐞𝐭, seu cofundador.
𝘔𝘦𝘮ó𝘳𝘪𝘢 𝘥𝘰 𝘍𝘶𝘵𝘶𝘳𝘰, 𝘦𝘱𝘪𝘴ó𝘥𝘪𝘰 1.
Em 1981, 𝐨 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐮𝐭𝐚𝐝𝐨𝐫 do 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂, um Data General MV/8000, entrou içado por uma grua, pela varanda, no edifício Alves Redol.
Os inesquianos a assistir à chegada (incluindo a senhora que não esconde a sua alegria) estavam a ver chegar uma máquina que pesava centenas de quilos e se viria a tornar o coração de uma instituição que tinha acabado de ser fundada. Não havia elevador que chegasse, mas havia muita vontade.
Os fundadores chamaram à missão da instituição “𝐕𝐞𝐧𝐜𝐞𝐫 𝐨 𝐀𝐝𝐚𝐦𝐚𝐬𝐭𝐨𝐫”, o gigante de Camões, os limites impostos a quem ousa para o desconhecido.
Dar este nome a uma instituição de investigação e desenvolvimento nascida da parceria entre universidade e indústria no Portugal dos anos 80 era simultaneamente simbólico e arrojado.
Na segunda-feira, o INESC entregou pela quarta vez o Prémio com esse nome. O vencedor, Sérgio Jesus, desenvolveu um trabalho que permite testar, com rigor e em condições próximas da realidade, se os sistemas de IA que decidem sobre crédito, emprego, segurança ou saúde o fazem sem discriminar e de forma auditável.
Da chegada do primeiro computador a este trabalho foram 45 anos de percurso com o mesmo propósito.
O espólio histórico do INESC está a ser recuperado em parceria com o HTC NOVA FCSH pela investigadora Inês José.
No âmbito do projecto História, Memória e Património do 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂, em parceria com o 𝐇𝐓𝐂-𝐂𝐅𝐄 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐅𝐂𝐒𝐇, começámos as entrevistas aos Históricos do INESC. Na conversa com o Professor José Tribolet, ficámos a saber que houve desde o início um esforço deliberado para criar uma cultura de convívio entre colaboradores: actividades desportivas, festas, churrascos, momentos partilhados. A equipa nesta fotografia é um exemplo disso. Anos 90 a toda a velocidade!
Esta consciência veio, por um lado, do tempo que passou nos Estados Unidos no início da carreira, do que aprendeu com o seu orientador sobre a importância desses momentos para a cultura de investigação, e, por outro, das suas próprias reflexões e conversas com outras figuras fundadoras. É largamente conhecida a definição do Professor Tribolet do INESC como “𝒖𝒎 𝒂𝒄𝒆𝒍𝒆𝒓𝒂𝒅𝒐𝒓 𝒅𝒆 𝒑𝒆𝒔𝒔𝒐𝒂𝒔”. O que uma instituição produz depende do que as pessoas que a compõem são capazes de fazer umas pelas outras e umas com as outras.
A conversa deixou-nos com muitas perguntas: o que é que este tipo de convívio representa para uma instituição? Como se fomenta de forma consciente? Que papel teve no percurso do INESC?
Reconhece alguém na fotografia?
Em maio de 1993, o 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 publicava nas suas Notícias Técnicas um artigo a explicar à equipa o que era uma lista de distribuição de correio electrónico e como funcionava. Na mesma edição, noticiava “𝐥𝐢𝐠𝐚çõ𝐞𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐞𝐬𝐩𝐞𝐫𝐚𝐝𝐚𝐬”: colaboradores que recebiam a workstation encomendada há meses mas não conseguiam ligá-la à rede porque a infraestrutura não estava pronta.
Era 1993, acabava de ser criada a Telecom Portugal. Um telemóvel chegava a custar o equivalente a vários milhares de euros. O 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂 estava integrado no ISODE Consortium, a trabalhar nos protocolos de comunicação que se tornavam a base da internet europeia, a formar o capital humano que construiu a transição digital do país, e a comunicar sobre isso com clareza e com graça.
Estas publicações estão a ser digitalizadas no âmbito do projecto de património histórico do 𝐈𝐍𝐄𝐒𝐂, em parceria com o 𝐇𝐓𝐂-𝐂𝐅𝐄 𝐍𝐎𝐕𝐀 𝐅𝐂𝐒𝐇.
Em Dezembro de 1994, quando Portugal ainda não tinha vivido os incêndios catastróficos de 2003 e 2017, o INESC estava a desenvolver um protótipo de detecção automática de fogos florestais. O protocolo era com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o local de instalação era o Parque Nacional da Peneda-Gerês.
A preocupação era legítima e a aposta foi mantida. O sistema que nasceu desse trabalho, o CICLOPE, desenvolvido pelo INOV, tornou-se uma referência nacional em videovigilância florestal. Em 2025, a CIMRL – Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria distinguiu-o como um dos projectos mais transformadores na protecção do território português.
Mas o CICLOPE não ficou em Portugal. A parceria com a empresa grega Satways Ltd levou o sistema à Grécia, país que, como Portugal, tem sido devastado por incêndios florestais com uma frequência e uma intensidade crescentes.
No final de 2025, o CICLOPE deu origem a uma empresa autónoma, a INOVSIGHT, criada para acelerar a expansão territorial e consequente internacionalização.
Uma equipa portuguesa antecipou um problema global, construiu uma solução, e está agora a exportá-la para países que enfrentam o mesmo desafio.
Portugal tem cerca de dois mil e quinhentos quilómetros de costa e uma relação com o oceano que nunca foi só geográfica e sentimental, mas também filosófica e científica. A expansão marítima dos séculos XV e XVI não teria acontecido sem o investimento sistemático em cartografia, astronomia e engenharia naval que a precederam.
O INESC de 1989 sabia disso. Tanto, que escolheu caravelas para a capa da sua newsletter quando quis falar do futuro.
E hoje, o sistema INESC trabalha o oceano sem metáforas.
O INESC TEC lançou em 2025 o INESCTEC.OCEAN, um Centro de Excelência em robótica marinha, energia oceânica e monitorização ambiental.
O INOV INESC desenvolve o MARCONNECT, um projecto Horizonte Europa que viabiliza a partilha de dados de sensores entre navios civis com guardas costeiras europeias em tempo real, permitindo manter seguro o espaço marítimo europeu.
Somos um povo voltado para o mar. E para a ciência também.
Em 1989 o INESC fazia 9 anos e escolheu um nome para a sua estratégia da década seguinte: Vencer o Adamastor.
A escolha não foi sentimental. O Adamastor é o monstro do Cabo das Tormentas nos Lusíadas, mas o que os portugueses usaram para o vencer, para o dobrar, não foi um particular traço de alma, foi sim conhecimento técnico acumulado em cartografia, astronomia e engenharia naval.
Para o INESC de 1989, a analogia era directa. O Adamastor personificava o atraso tecnológico, a dependência científica e a periferia europeia, e o plano para o vencer era o mesmo: desenvolver conhecimento onde ainda não existia antes que a dependência se tornasse inevitável.
Quarenta e cinco anos depois, o Prémio Vencer o Adamastor reconhece quem quer contribuir precisamente para isso.
A 4.ª edição já tem vencedor e o nome está para breve.
Em março de 1987, o Diário Popular anunciava:
“Chama-se «Elena» e vai ser a secretária do futuro. Não fuma, sabe dactilografar uma carta sem erros e tem uma memória infalível. Claro: é electrónica.”
O que o jornal descrevia era o (E)scritório E(le)ctrónico (Na)cional, um projeto desenvolvido pelo INESC, sob o patrocínio do governo, para informatizar serviços públicos portugueses. Portugal precisava de recuperar décadas de atraso administrativo e o ELENA era o sistema que prometia impulsionar esse avanço.
A escolha do jornal de apresentá-la com os atributos de uma secretária ideal, disponível, sem vícios, sem falhas, dizia mais sobre 1987 do que sobre o sistema em si.
Em 2026, muitos assistentes de inteligência artificial continuam a ser apresentados ao público com nomes femininos e a mesma promessa de disponibilidade permanente. As perguntas que o ELENA levantava sobre o que significa delegar trabalho intelectual a uma máquina e quem é responsável pelo resultado são as mesmas que levantamos hoje.
O espólio do INESC está a ser recuperado em parceria com o HTC NOVA FCSH pela investigadora Inês José.
Esta é só uma amostra das várias edições do INFORINESC, a newsletter interna dos anos 80 e 90 do INESC. Uma delas, de 1993, explica à equipa o que são listas de distribuição electrónica e como usar o email institucional.
O INESC estava a explicar aos seus colaboradores o que era a internet.
A investigadora Inês José, do HTC-CFE NOVA FCSH, está a recuperar este espólio.
O que está a ser organizado é também a memória de como Portugal entrou na era digital: quem foram os investigadores, as empresas e as universidades que fizeram esta transição acontecer, quais os projectos que a tornaram possível, que decisões públicas e privadas criaram as condições para que um país sem grande tradição industrial construísse competência tecnológica própria.
Esta história está por escrever, e é isso que este projecto faz.
No mês em que celebramos o Dia Mundial das Telecomunicações, relembramos que a memória da infraestrutura digital europeia não se guarda sozinha.
“Como Lisboa não chegava toda ela, o INESC Norte lá nasceu e está de pé.”
Era 1987, a comunidade do INESC cantava isto num bar de Lisboa, na noite do sétimo aniversário do instituto. O polo do Porto tinha três anos e o edifício do Largo Mompilher ainda não existia.
Hoje o INESC TEC faz 41 anos. É Laboratório Associado, obteve classificação de Excelente na avaliação Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) de 2025, e é o terceiro maior beneficiário nacional de financiamento no Horizonte Europa.
O verso envelheceu bem.
Parabéns ao INESC TEC e à sua (e nossa) comunidade.
Nos anos 90, os postes SOS das autoestradas portuguesas tinham um microprocessador incorporado. Quando a Brisa abriu concurso para renovar o sistema de emergência nas suas vias, foi a SETCOM que foi seleccionada. A I&D por detrás da proposta era do INESC.
O sistema ia além da transmissão de voz em caso de emergência. Cada poste recolhia dados sobre as condições meteorológicas do troço onde estava instalado e transmitia essa informação para a central. Os painéis junto aos postes alertavam os automobilistas para o que os esperava mais à frente.
Havia nas autoestradas portuguesas infraestrutura que as pessoas usaram durante décadas sem saber que tinha sido construída a partir de investigação e desenvolvimento feitos em Portugal.
O espólio do INESC, que a investigadora Inês José do HTC-CFE NOVA FCSH está a recuperar, está cheio de histórias assim, que narram simultaneamente os avanços da ciência e da indústria portuguesas precisamente quando começaram a andar de mãos dadas.
São essas histórias e esse arquivo que vamos aqui mostrar.